ONTEM

«não se deitam comigo corações obedientes», A Naifa


Ao quarto álbum, A Naifa encontra o equilíbrio perfeito entre arrojo, convenção e poética.

O título em letra minúscula, à valter hugo mãe do antigamente, engana. O quarto álbum d´A Naifa é muito grande. O maior de todos numa linguagem que se refinou naturalmente. Nesse processo, o arrojo nunca foi subestimado porque este fado nunca será o tradicional, mas se há conclusão a tirar deste «não se deitam comigo corações obedientes» é o da intercepção entre procura e encontro.

Anuncia-se uma mudança de rumo e não de ramo mas a ruptura é intrínseca a esta Naifa que continua a cortar mas agora com outra suavidade. Sem que isso implique menor cuidado na escolha de poemas que, como sempre desde que se estrearam há oito anos, contém alto teor de acidez.

E é por isso que «não se deitam comigo corações obedientes», conformados com o destino, porque A Naifa de 2012 é demasiado senhora de si para depender do aleatório. Não. O caminho está traçado e passa pela constante provocação numa atitude punk que supera géneros.

É verdade que a estalada já não dói como no início porque o trilho que A Naifa e outros desbravaram é hoje, mesmo que secundária de projecção, uma estrada com acessibilidades. Mas isso não deve impedir o reconhecimento de um disco que é também ele um exemplo de persistência e amor.

A Naifa
«não se deitam comigo corações obedientes»
Edição de Autor

davidevasconcelos@gmail.com

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